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Todos fazem contas ao abrandamento chinês

30 Setembro 2015

O abrandamento económico da China e a incerteza em torno dos efeitos globais do reequilíbrio da segunda maior economia do mundo está a marcar o final do ano: já terá adiado um aumento de juros nos Estados Unidos, levará o FMI a rever em baixa a sua previsão de crescimento mundial para pouco mais de 3% na próxima semana, e o Citigroup até antecipa uma recessão global nos próximo anos.

Naturalmente multiplicam-se as análises aos impactos regionais da “constipação” chinesa, e dois economistas do centro de investigação CEPS argumentam que a Europa não sofrerá muito mais que um espirro, dada a sua baixa exposição à China. Portugal é dos menos expostos nas exportações.

Em sentido contrário, os efeitos no Japão poderão ser grandes, defende Alicia García-Hereno do Bruegel, o que evidencia um risco difícil de medir: os impactos indirectos de uma abrandamento asiático liderado pela China.

Para Mikkel Barslund e Cinzia Alcidi, do CEPS, a Europa não deve temer demais o abrandamento chinês:

Argumentamos que enquanto o abrandamento da segunda maior economia do mundo poderão não são boas notícias para a Europa, os efeitos podem não serão tão maus como os títulos nos poderão fazer crer. No curto prazo, o maior risco do abrandamento chinês poderá ser político, resultado de um enfraquecimento do Renminbi, seja por actuação do banco central e/ou por grandes fugas de capitais.

Os economistas suportam a avaliação pela baixa exposição das economias europeias:

  • A China representa 13% do PIB global, o que lhe dá o segundo lugar do pódio mundial, mas a deixa ainda bem atrás dos 18% da Zona Euro ou os 24% da UE.
  • A baixa do preço do petróleo para quase metade no último ano (com um efeito directo sobre a procura agregada na economia) compensa em parte o abrandamento chinês (que afecta indirectamente a economia pelos efeitos negativos nas indústrias afectadas).
  • As exportações da UE para a China são menores que as exportações para a Suíça: 225 mil milhões contra 180 mil milhões em 2013.
  • Os países mais fracos da Europa são os menos afectados nas suas exportações. O peso das vendas para a China na economia grega é de menos de 0,5% do PIB, em Espanha ou Itália ronda os 0,75%, um pouco mais que os 0,5% portugueses. Por comparação a Alemanha exporta para a China o equivalente a 2,7% do PIB.

Na outra ponta do globo, a realidade japonesa é bem diferente, escreve Alicia García-Hereno num texto publicado no Bruegel:

A China é o maior destino de investimento directo estrangeiro japonês, enquanto a China é o segundo maior parceiro comercial do Japão, explicando 18,3% das exportações em 2014, logo atrás dos EUA com 18,6%.

Perante estes dados a economista diz que o abrandamento mais rápido da China ameaça do sucesso da estratégia económica de Shinzo Abe. Os efeitos indirectos na economia global do abrandamento chinês são dos mais difíceis de medir e também dos mais temidos, especialmente por se juntarem ao mau momento de outras economias emergentes, como o Brasil.

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