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Bancos éticos e sociais são mais estáveis

23 Setembro 2015

A chamada “banca alternativa” — instituições financeiras que têm como objectivo não apenas gerar lucros, mas também contribuir para causas sociais ou preservar valores éticos — ganhou atenção durante a crise. Não é para menos: afinal a banca tradicional teve um papel central a atirar a economia mundial ao chão nos últimos anos.

Mas será que estes bancos menos centrados no lucro são de facto uma alternativa? Um estudo recente evidencia que se trata de um grupo residual de instituições nas economias ricas, mas que merece mais atenção: é que a banca alternativa é mais estável e menos arriscada que a tradicional.

Em “Are ethical and social banks less risky? Evidence from a new dataset” Marlene Karl, investigadora do instituto alemão DIW, compila uma inédita base de dados de bancos alternativos na UE e na OCDE, identificando 65 instituições que têm assumidamente um duplo objectivo operacional: gerar lucros e preservar princípios éticos ou sociais.

Dos 65 bancos identificados entre 1997 e 2012 são depois considerados cerca de 30 instituições que operaram entre 2006 e 2009. É este grupo que é comparado com outro composto por instituições da banca convencional. As conclusões apontam para que outra banca seja possível. E até desejável:

O principal resultado é que os banco alternativos, como os sociais e éticos, são significativamente mais estáveis que os bancos convencionais. (…) Há alguma evidência que em tempos de crise económica os bancos alternativos também são mais resistentes e termos de capital regulatório do que os seus pares convencionais.

Marlene Karl eviencia que a base de dados é pequena e que o facto do número de bancos alternativos ter aumentado com a crise pode enviesar resultados, mas ainda assim defende que os seus resultados apontam que é possível pensarmos outro sistema financeiro:

Como os bancos alternativos só têm uma fracção muito pequena do sistema bancário na Europa, o efeito directo na estabilidade financeira é pequeno. No entanto, a simples existência dos bancos alternativos mostra que é há outras formas de gerir o negócio.

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