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Portugal sofre discriminação das agências de rating

21 Setembro 2015

As decisões das três maiores agências de “rating” durante a crise dos últimos anos discriminaram negativamente Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda.

As quatro economias mais afectadas pela crise sofreram acentuados cortes nas suas notações de risco (um dos principais indicadores consultados pelos investidores) entre 2009 e 2013 — as quais caíram abaixo do nível que seria previsível dados os fundamentais das economias. Mas pior: no caso de Portugal e Espanha, as notações continuaram a ser mais baixas mesmo depois da fase mais aguda, o que se traduz em muitos milhões de euros a mais em custos de financiamento. A conclusão é de um recente estudo publicado pelo instituto alemão DIW.

Em “The Power of Opinion: More Evidence of a GIPS-Markup in Sovereign Ratings During the Euro Crisis”, Steffen Nauhaus estima quais seriam as notações de riscos expectáveis considerando os fundamentais de 11 de 17 economias da Zona Euro.

No seu modelo, os ratings dependem de:

  • PIB per capita e do crescimento da economia
  • Saldo orçamental primário e a dívida pública
  • Saldo externo e abertura da economia ao exterior
  • População
  • Um indicador de eficácia do governo

Os resultados são claros: Fitch, Moody’s e S&P aplicaram factores de penalização superiores sobre as quatro economias. Portugal está entre os mais prejudicados. A S&P, por exemplo, que na sexta-feira reviu o rating nacional de BB para BB+, mantendo a dívida ainda na categoria de não investimento, já desde 2013 que poderia ter subido o rating nacional para nível de investimento: isto pelo menos considerando os fundamentais da economia e os critérios históricos de decisão da agência.

Em média, os ratings foram um degrau inferior ao estimado para os vários países e agências entre 2009 e 2013. (…) Os ratings de Portugal e Espanha foram em média dois degraus inferiores ao estimado de 2010 em diante e o da Grécia mais que um degrau. No entanto, para os dois anos mais recentes [2012 e 2013] os ratings permanecem entre um e quatro degraus abaixo do estimado. Rating da Irlanda tem sido muito mais próximo do seu valor previsto.

Nauhaus estima que a penalização nas notações de risco se sentiu nas três agências e variou entre 1,5 degraus da Moody’s e 2,2 da S&P.

Mas esta desconfiança dos chamados periféricos por parte das agências não se resume aos últimos anos: é evidente no período entre 1999 e 2013 e aí a Fitch e a Moody’s até foram mais penalizadoras.

A discriminação custa vários milhões de euros às quatro economias, lembra ainda o economista, que identifica uma relação positiva entre evolução das taxas de juro e as descidas de rating:

Em média, os spreads das taxas de juro de Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha (GIPS)s aumentou entre 1,27 pontos (S&P) e 1,62 (Fitch), ceteris paribus, por cada degrau de penalização. Dados que milhões de euros em obrigações são emitidos por cada país em cada ano, estes números reflectem custos consideráveis para os GIPS que são atribuíveis apenas à opinião das três grandes agências.

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