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O Brasil é o novo doente da economia mundial

18 Setembro 2015

O Brasil é neste momento o país de que todos falam quando se fala de problemas na economia. A sequência de notícias preocupantes conhecidas nos últimos dias impressiona qualquer um:

  • A OCDE reviu fortemente em baixa as previsões de crescimento para a economia, colocando o Brasil em recessão profunda tanto este ano como no próximo.
  • A Standard & Poor’s baixou o rating atribuído ao país, colocando-o no nível “lixo” e reforçando os receios de o acesso ao financiamento nos mercados possa ser colocado em causa.
  • A expectativa de uma subida nas taxas de juro da Fed continua a pressionar o real, acentuando as dificuldades do banco central brasileiro controlar a inflação e trazendo problemas adicionais às empresas que importam matérias primas e se endividaram em dólares.
  • Por cima de uma política monetária restritiva, o Governo anunciou uma política orçamental também mais restritiva, com cortes na despesa e aumentos de impostos.

Perante este cenário de uma crise económica acentuada, vale a pena ler o estudo publicado esta semana pelo economista brasileiro Luiz Carlos Bresser-Pereira, que dá uma explicação alternativa ao que aconteceu ao Brasil e à sua economia para chegar a esta situação. A análise não se centra apenas nos últimos anos, mas sim nas últimas três décadas.

São vários os factores apontados como explicação para a queda do Brasil num cenário que o autor antecipa continue a ser de crescimento lento e insuficiente para garantir ao Brasil a desejada convergência com os níveis de riqueza das maiores potências mundiais.

O principal é que, desde os anos 90, a política económica no Brasil tem estado centrada na ideia de que é necessária uma taxa de câmbio forte e uma taxa de juro elevada para conseguir controlar a inflação. Bresser-Pereira diz que estas políticas são “uma armadilha” e a principal causa para o investimento e crescimento fracos, sendo necessário começar a discutir como é que é possível evitar, como tem acontecido nos últimos 30 anos, que a moeda tenda a apreciar-se excepto quando ocorrem crises graves, como agora.

Também gostámos de ver:

Temas de que vai ouvir falar hoje:

  • A Standard & Poor’s tem no seu calendário a possibilidade de mexida no rating português. No entanto, com as eleições muito próximas, as probabilidade de uma alteração é considerada muito baixa.