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Como o dólar está a afectar os emergentes

31 Julho 2015

Os preços das matérias primas, como o petróleo e o ouro, estão a cair há vários meses. E potências económicas emergentes, como a China e o Brasil, estão a ver as suas economias a abrandarem e a sofrerem de grande instabilidade nos seus mercados.

Os dois fenómenos estão interligados e prometem dominar as atenções na economia mundial durante os próximos tempos, com a ameaça de uma crise financeira nos países emergentes a ser vista, a par com a Grécia, como o principal risco que corre neste momento a economia mundial.

Os problemas, contudo, seriam bastante fáceis de prever, como mostra um estudo publicado pelo FMI: “Collateral Damage: Dollar Strenght and Emerging Markets’ Growth”.

Os três técnicos que assinam o texto, analisam informação recolhida referente ao período entre 1970 e 2014 e detectam uma evidente relação de causalidade entre a variação do dólar norte-americano nos mercados cambiais e o desempenho das economias emergentes.

Os dados históricos mostram que, durante os períodos de apreciação da divisa dos EUA, o crescimento real nas economias emergentes abranda. A relação também é evidente durante períodos de depreciação do dólar, uma altura em que as economias emergentes aceleram.

Porque é que acontece isto? De acordo com o estudo, o principal mecanismo de transmissão destes efeitos está no impacto directo que a taxa de câmbio tem nos preços das matérias-primas. Como estas são cotadas em dólares nos mercados internacionais, uma subida da divisa faz com que os preços caiam.

Matérias primas mais baratas conduzem a uma redução da procura interna nos mercados emergentes, principalmente naqueles que dependem mais das exportações de produtos como o petróleo, por exemplo. O efeito também é mais óbvio, diz o estudo, nos países com taxas de câmbio mais fixas.

Este padrão detectado pelos autores, parece agora voltar a comprovar-se. O dólar tem vindo a valorizar-se face à generalidade das outras divisas internacionais, incluindo as dos países emergentes. O resultado mais imediato tem sido a queda dos preços das matérias primas, que também sofrem de factores relacionados com a oferta e a procura, e muitos países emergentes sofrem com o abrandamento da sua economia.

A situação poderá tender, não a melhorar, mas sim a piorar. É que no estudo assinala-se que o impacto negativo no crescimento é particularmente forte quando os EUA sobem as suas taxas de juro. Isso é algo que Janet Yellen e a Reserva Federal a que preside têm deixado claro que está cada vez mais perto de acontecer.

Também gostámos de ver:

  • Alexis Tsipras está a preparar-se para convocar um segundo referendo ao seu acordo com a troika para Setembro. Mas desta vez é apenas dentro do seu partido, explica a Bloomberg.

Temas de que vai ouvir hoje:

  • O Eurostat publica os dados do desemprego e da inflação na zona euro. Uma oportunidade para verificar como está o desempenho da economia europeia e que impactos está a produzir a política de compra de obrigações do BCE.

 

A Economia Info vai de férias. A partir da próxima semana interrompemos as nossas análises e comentários. Regressaremos com um entusiasmo redobrado a 14 de Setembro.