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Reformas correram mal na Grécia. Mas porquê?

30 Julho 2015

Os dois programas de ajustamento gregos centraram-se excessivamente em temas orçamentais e na reforma de uma administração pública disfuncional, descurando reformas estruturais promotoras de crescimento — nomeadamente na concorrência e mercado de trabalho — e desvalorizaram os desafios colocados pelas fragilidades institucionais do país, em particular da sua administração pública.

Esta é a avaliação de Alessio Terzi, no Bruegel, que analisa as reformas e os ritmos de implementação nos últimos anos, comparando-os com outros países, incluindo Portugal. O economista conclui que o falhanço grego não resulta tanto de uma má implementação (que foi pior que a nacional, mas apenas no segundo programa), mas mais de que estratégia de ajustamento pior desenhada desde início:

“Nem a sequenciação, nem a composição da implementação de reformas na Grécia foi focada num regresso a crescimento rápido e forte. No primeiro programa de ajustamento, a prioridade foi dada a medidas focadas em reestruturar as operações governamentais, reorganizar a administração pública, optimizar os processos orçamentais e aumentar a transparência fiscal. Estas são medidas positivas com o objectivo de melhorar a qualidade e a eficiência do processo de decisão, mas são muito exigentes em termos de implementação no curto espaço, e têm impacto no crescimento apenas no longo prazo.”

O autor vai mais longe:

“Considerando a capacidade administrativa limitada, é melhor focar os esforços de reforma em medidas promotoras do crescimento, em vez de primeiro tentar melhorar a capacidade institucional.”

Estes são para o autor os pecados capitais da estratégia de reforma helénica que contribuem para explicar porque as reformas não funcionaram na Grécia — ao contrário do que aconteceu, por exemplo, em Portugal, defende.

Nesse sentido propõe que o terceiro resgate aposte em:

  1. Medidas de promovam a concorrência e a liberalização das actividades empresariais.
  2. Alívio da carga fiscal sobre o emprego e aumento sobre o consumo.

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