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O que é que a Uber faz ao trânsito?

29 Julho 2015

A discussão em relação à plataforma Uber tem estado centrada em questões de ordem legal e de concorrência, com muita gente preocupada se a nova plataforma de transporte individual não está a gerar concorrência desleal aos actores que durante décadas dominaram este mercado.

Mas que tipo de efeitos — positivos ou negativos — pode ter a Uber na qualidade de vida das pessoas e, em particular, na forma como funciona o trânsito numa cidade? Esta questão começa a ser colocada nos Estados Unidos, e em particular em Nova Iorque, o local onde a implementação da Uber tem sido mais intensa.

Como mostra o FiveThirtyEight, num artigo em que resume os estudos ciêntificos que foram feitos sobre o assunto, as conclusões não são para já definitivas.

O efeito sobre o nível de intensidade do trânsito é um dos mais importantes temas em discussão. Há indicadores que mostram que, em Nova Iorque, se registou um decréscimo na velocidade de circulação dos veículos desde o lançamento da Uber. No entanto, há dois estudos com conclusões diferentes sobre a relação causa-efeito entre o abrandamento do tráfego e a Uber.

O economista especialista na área dos transportes, Charles Komanoff, calcula no seu modelo de análise do tráfego, que o surgimento da Uber resultou num abrandamento de 7,7% na velocidade do tráfego, assumindo — e isto é bastante importante — que 75% dos transportes feitos pela Uber não teriam acontecido por outros meios caso não existisse Uber.

Os responsáveis da Uber responderam com o seu próprio estudo, em que alegam que as suas viagens estão em praticamente todos os casos a substituir outras viagens que também teriam sido feitas e apresentam outros motivos para o abrandamento do trânsito, como a criação de vias para ciclistas em Nova Iorque.

Depois há ainda o problema do acesso a transporte nas áreas mais pobres. Os mais críticos da Uber defendem que este meio de transporte serve essencialmente as zonas mais ricas da cidade, não gerando mais valias para as zonas mais pobres. O economista Mark Kleiman, no entanto, publicou um estudo em que conclui que, em Los Angeles, os bairros de menores rendimentos são servidos pela Uber, em comparação com os táxis, de forma duas vezes mais rápida e duas vezes mais barata.

Numa altura em que, em Portugal, a Uber está na prática impedida de funcionar, seria importante que os estudos sobre as suas vantagens e desvantagens se tornassem mais fiáveis e fossem também utilizados para as tomadas de decisão.

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