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Reformas alemãs cortaram 10% nos salários pós-desemprego

24 Julho 2015

São famosas as reformas do início do século no mercado de trabalho alemão. Implementadas entre 2003 e 2005, quando a Alemanha experimentava uma taxa de desemprego que chegou a atingir os 11%, os efeitos das reformas “Hartz” coincidiram com uma descida do desemprego no país para menos de metade no final da década, um valor que pouco se alterou com a crise dos últimos anos.

A evolução do mercado de trabalho não depende apenas das reformas implementadas, mas a impressionante evolução do desemprego tem chamado a atenção para o pacote de medidas que reduziram a regulamentação das agências de trabalho temporário, flexibilizaram os despedimentos, reestruturam a agência de emprego do país e, talvez a alteração mais importante, baixaram significativamente os benefícios concedidos aos desempregados de longa duração.

Niklas Engbom, Enrica Detragiache e Faezeh Raei, economistas do FMI, publicaram recentemente uma análise a um impacto específico das reformas “Hartz”: os salários obtidos pelos desempregados.

A principal conclusão é que os trabalhadores que encontraram emprego vindos de uma situação de desemprego viram os seus salários descer cerca de 10% face aos se mantiveram sempre no activo.

Elementos básicos das reformas foram cortes drásticos nos benefícios dos desempregados de longo prazo e obrigações mais apertadas de procura e aceitação de empregos. Usando informação confidencial da administração alemã da Segurança Social, concluímos que as reformas associaram-se a uma queda de 10% nos rendimentos dos trabalhadores que estão a regressar ao emprego vindos de uma situação de desemprego de curto prazo face aos rendimentos dos empregados de longo prazo.

Nas contas que apresentam a diferença de rendimentos entre estes dois grupos era significativa já antes das reformas: o “custo do desemprego” em termos de novos salários já rondava os 20%, mas depois das alteração de 2003–2005 este valor subiu em média para cerca de 30%, sendo maior para os que aceitarem empregos em part-time.

Perante estes resultados os autores salientam que qualquer análise de bem estar aos impactos das reformas tem de avaliar não só os impactos no emprego, mas também na perda de rendimentos dos que passam pelo desemprego.

Enquanto a reforma foi bem sucedida a reduzir o desemprego, implicou um custo significativo aos trabalhadores que caíram no desemprego, não apenas em termos de redução e benefícios, mas também por rendimentos mais baixos após o desemprego.

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