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O que a escolha de Obstfeld nos diz sobre a política do FMI

23 Julho 2015

Maurice Obstfeld foi o escolhido para a difícil tarefa de substituir Olivier Blanchard como economista-chefe do FMI. Entra a meio de um debate que ainda está por resolver sobre a forma como poderá ser concretizado o terceiro programa grego, nomeadamente que tipo de reestruturação da dívida deverá ser feita, um tema em que o FMI tem entrado em confronto com alguns governos da zona euro, como o alemão.

Obstfeld não se pronunciou ainda sobre este problema em concreto, mas uma consulta aos textos que este economista tem escrito sobre a zona euro ao longo das últimas duas décadas, mostra que o FMI deverá ficar com um economista chefe que concorda com Wolfgang Schauble quando este diz que é preciso mais união política, mas que não defende uma ruptura na união monetária como solução.

O novo economista chefe do FMI escreveu logo em 1997, a pouco mais de um ano do lançamento do euro, um longo relatório sobre o projecto de união monetária, aque deu o título de “Europe’s Gamble”.

O documento falava de muitas debilidades no projecto do euro que, à luz da actual crise grega, se percebe nitidamente que se confirmaram. Obstfeld escreveu, por exemplo, que no caso de ocorrência de recessões e de níveis elevados de desemprego “a união monetária europeia não será neutral no que diz respeito à política orçamental, mas destabilizadora”.

Da mesma maneira, embora reconhecendo os feitos políticos do projecto do euro, avisou que “estes serão colocado em risco se os eleitorados sentirem as consequências económicas como negativas”.

Mais recentemente, quando escreveu sobre a crise do euro, defendeu que, perante a instabilidade que já tinha previsto, a solução tem de passar por uma mais forte união política.

Assim que o aprofundamento financeiro atinge um determinado nível dentro da união, deixa de se conseguir manter em simultâneo todas as seguintes três condições: integração financeira entre fronteiras, estabilidade financeira e independência orçamental dos países.

É aqui que o pensamento de Obstfeld coincide mais com o do ministro das Finanças alemão, um defensor de uma união política mais forte (com a criação de um verdadeiro ministério das finanças europeu) entre os países da zona euro que estão decididos a (e são capazes de) cumprir a política orçamental definida para todo o grupo.

Olhando para as respostas que foram sendo dadas por Obstfeld ao longo dos últimos anos ao inquérito “Chicago Booth” a economistas académicos, notam-se no entanto visões diferentes das de Schauble em relação à forma mais adequada de combater a crise.

O economista chefe do FMI respondeu em 2012, no auge da crise grega para a aprovação do segundo resgate, que um falhanço da Alemanha em aceitar conceder um novo empréstimo à Grécia prejudicaria mais a própria Alemanha do que um resgate em que não fossem sequer impostas condições ao país devedor.

Obstfeld parece acreditar que, embora difícil, o caminho para uma mais forte união política que salve a união monetária ainda é possível de alcançar, dando o exemplo da utilizaçãoo do Mecanismo de Estabilização Europeu como um exemplo de que as coisas, embora lentamente, vão avançando.

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