Voltar à lista

A Europa tem de acabar com os bancos pequenos?

21 Julho 2015

São vários as razões para que a situação da banca portuguesa seja ainda extremamente instável: as expectativas de crescimento lento da economia, o elevado endividamento das empresas e das famílias, a forte exposição à dívida soberana e a fragilidade da governação revelada pelas próprias instituições. Mas o think tank Bruegel veio assinalar mais um motivo para temer que os próximos tempos continuem a ser de sobressaltos: o simples facto de os bancos portugueses serem pequenos e médios à escala europeia.

Um estudo assinado pelos economistas Ashoka Mody e Guntram B. Wolff, analisou a vulnerabilidade exibida pelos 130 bancos da zona euro que são alvo da supervisão do BCE e chegou à conclusão que aqueles que apresentam rácios mais preocupantes, nomeadamente quando sujeitos a testes de stress, são os bancos de pequena e média dimensão.

São eles que mais sofrem com a pressão do crédito mal parado e que mais expostos estão aos problemas provocados por uma conjuntura de deflação.

De igual modo, é nos países periféricos, incluindo Portugal, que este fenómeno é mais evidente, o que torna o problema da vulnerabilidade do sistema financeiro ainda mais grave nestes países e impede que o crédito chegue em condições normais à economia e contribua para a retoma económica.

Qual é então a solução para este problema? Os dois economistas defendem que, ao contrário do que aconteceu nos Estados Unidos, e à semelhança do que aconteceu no Japão, a Europa tem tido dificuldades em sanear o seu sistema bancário e que um dos motivos está precisamente na falta de uma acção decisiva no que diz respeito aos bancos de pequena e média dimensão.

E que, por isso, o melhor, em vez de se apostar apenas na recapitalização da instituições financeiras, é avançar para um processo de consolidaçãoo da banca europeia, com a resolução, aquisição e fusão dos bancos de pequena e média dimensão.

Para Portugal, um país onde os princiapis bancos são todos de pequena ou média dimensão à escala europeia, a implicação desta receita de política parece apontar para uma de duas soluções: ou uma redução ainda mais acentuada do número de bancos no mercado (com a respectiva redução do nível de concorrência) ou a entrada ainda mais forte de bancos estrangeiros de grande dimensão no capital dos bancos portugueses.

Também gostámos de ver:

  • Porque é que ajudar a Grécia nunca foi uma hipótese para Putin: 42 mil milhões de dólares de dívida dos governos regionais russos, explica a Bloomberg.
  • Os comerciantes sairiam a ganhar com a medida, mas a descida do IVA na restauração não aumentaria o emprego, conclui o Negócios, com base em estudos económicos e experiências semelhantes no estrangeiro.

Temas de que vai ouvir falar hoje:

  • A empresa com maior capitalização bolsista em todo o Mundo apresenta os seus resultados trimestrais. Mercados e analistas vão estar atentos às tendências de vendas do dominante iPhone, mas também olharão para a resposta dos novos produtos, como o Apple Watch.