Voltar à lista

Há 20 anos Schauble já defendia uma Zona Euro mais pequena

20 Julho 2015

Os ministros das Finanças tem desempenhado um papel central na crise da Zona Euro. Cabem-lhes muitas das principais decisões de políticas dos últimos anos e é nos seus regulares encontros em Bruxelas que são travados os grandes embates políticos entre os Estados-membros. Entre eles, nos últimos seis meses, dois ocuparam grande parte do noticiário europeu: Yanis Varoufakis e Wolfgang Schauble.

Os ministros das Finanças alemão e grego (entretanto substituído) destacam-se pela firmeza com que defendem as suas posições e pela perspectiva oposta sobre as causas, a natureza e as soluções para os problemas gregos e da Zona Euro.

Sobre Varoufakis escrevemos há umas semanas sobre um plano antigo de incumprir e ficar na Zona Euro. Essa hipótese, que continuaria a admitir, terá contribuído para a sua saída do governo de Alexis Tsipras que a recusou, preferindo um programa de ajustamento acordado com a troika a continuar a desafiar os seus próprio limites financeiros e os limites institucionais e políticos da Zona Euro.

Sobre Schauble há esta semana um contributo no Vox.eu que ajuda a contextualizar as recentes posições do ministro alemão que tem defendido uma saída temporária da Grécia da Zona Euro, e que esta semana admitiu demitir-se do governo de Angela Merkel se alguém o tentasse coagir a ir contra os seus princípios.

Neste caso, o plano é bem mais antigo que o de Varoufakis: desde o início dos anos 1990 como destacado membro da CDU (liderada por Helmul Kohl) que Schauble defende uma Europa a várias velocidades, isto é, uma união monetária de geometria variável.

Fabio Ghironi, professor na Universidade de Washington, lembra um influente artigo escrito em 1994 por Schauble e Lamers, então deputados da CDU, em que defendiam a importância da integração europeia, e a necessidade que esta ocorresse a várias velocidades.

Para o professor italiano daqui decorreria uma moeda partilhada apenas pelos países do centro, um plano que veio a falhar quando, para surpresa de muitos, vários países do Sul cumpriram os critérios de convergência a tempo de participarem no arranque do euro.

Ao propor e insistir na saída da Grécia da Zona Euro como solução para a crise e ao defender como alternativa um plano de ajustamento que corre sérios riscos de falhar — deixando a Grécia mais próxima da saída da união monetária — o ministro das Finanças alemão pode estar a tentar concretizar o seu plano de há 20 anos, admite Ghironi.

Também gostámos de ver:

Temas de que vai ouvir falar hoje:

  • Os banco gregos reabrem, ainda com controlos de capitais. A semana continuará a ser marcada pela Grécia que na quarta-feira tem de aprovar mais legislação polémica no Parlamento.