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O FMI faz recomendações urgentes a outro país da zona euro… a Alemanha

17 Julho 2015

Não têm certamente o mesmo impacto das recomendações (exigências) feitas à Grécia, porque não se trata de um país sem acesso ao financiamento dos mercados, mas a Alemanha também é alvo de recomendações de política que o Fundo Monetário Internacional considera urgentes.

No meio dos elogios aos resultados obtidos ao nível do défice público e do desemprego, o FMI deixou na sua recente análise à economia alemão vários avisos:

  • O actual desempenho económico da Alemanha está a ser ajudado por uma conjuntura de preços do petróleo reduzidos e euro depreciado. É preciso que sejam feitos progressos urgentes para aumentar o crescimento potencial da economia, para gerar efeitos positivos no resto da zona euro e reduzir o excedente da balança de pagamento.
  • Uma das formas de conseguir isso é aumentar o investimento público, nomeadamente ao nível das infraestruturas, sendo necessário criar instituições capazes de escolher e coordenar o investimento público ao nível local. O governo tem um plano de reforço do investimento público, mas o FMI defende que se deveria ir mais longe, tendo em conta o espaço orçamental disponível.
  • É preciso aumentar a concorrência no sector dos serviços, nomeadamente com uma maior abertura em diversas profissões. Isso garantiria um aumento significativo do crescimento potencial.
  • A tendência de envelhecimento é muito forte. Para combater o impacto que tal pode ter no crescimento económico e nas finanças públicas, devem ser reduzidos os desincentivos para as mulheres trabalharem a tempo inteiro.
  • Criar os instrumentos de política macroprudencial que permitam uma resposta adequada a novos excessos no mercado imobiliário.

Não surpreende que a Alemanha, sem qualquer tipo de problema em relação à obtenção de financiamento, não seja tão pressionada a adoptar estas medidas e reformas estruturais como a Grécia.

Não deixa de ser interessante notar que o não cumprimento destes conselhos na Alemanha, tendo em conta o peso que cada um destes dois países tem na economia da zona euro, tem o potencial para gerar tantos ou mais problemas de contagio aos outros países do que aquilo que acontece com a Grécia.

Mas já se sabe que, na união monetária europeia, como recorda Paul Krugman no seu blogue, o tratamento entre os países deficitários e excedentários está longe de ser simétrico e é uma das causas de problemas no projecto do euro.

Também gostámos de ver:

Temas de que vai ouvir falar hoje:

  • Depois do parlamento grego na quarta-feira, hoje é a vez do governo alemão se pronunciar sobre o acordo de quarta-feira. Tal como em Atenas, também em Berlim, haverá deputados a votar favoravelmente apesar de não acreditarem na bondade do acordo. Mas será que Merkel vai conseguir manter o seu partido mais unido do que aquilo que conseguiu Tsipras?