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Crise é mais dura para os que têm pior saúde

16 Julho 2015

O impacto de crises macroeconómicas e do desemprego na saúde tem sido bastante estudado e tende a concluir por efeitos negativos das crises nos níveis de saúde da população. Um recente estudo de Prashant Bharadwaj, Petter Lundborg e Dan-Olof Rooths, publicado no NBER, olha para o tema de outra perspectiva: será que os menos saudáveis antes das crises são mais afectados pelo desemprego?

A resposta é sim, sem dúvida. Isto pelo menos a julgar pela grande crise sueca do início dos anos1990, um período dramático para esta economia do Norte da Europa que viu a taxa de desemprego subir de 2% para 8% em cerca de dois anos, essencialmente por via de despedimentos concentrados no sector privado.

Os autores usam dados sobre saúde, profissão, acesso a subsídios de desemprego que lhes permitem eliminar os efeitos de diferentes níveis de educação, de profissão, e até de contexto de crescimento (olhando para gémeos) e concluem que quanto menos saudável antes da crise, maior é a probabilidade de perder o emprego depois:

O artigo mostra que a saúde à nascença, medida pelo peso à nascença, e a saúde em adulto, medida pelo número de hospitalizações — e em particular hospitalizações relacionadas com saúde mental, são fontes importantes de vulnerabilidade no emprego durante crises macroeconómicas.

Os autores chegam ainda outras conclusões mais específicas:

  • O indivíduos com pior saúde perdem mais facilmente os empregos depois da crise.
  • Estes efeitos estão mais concentrados no sector privado, que foi também o mais afectado pela crise.
  • O desenvolvimento cognitivo e não cognitivo, que vários estudos associam ao peso à nascença, parecem importantes a determinar a vulnerabilidade de cada um no mercado de trabalho durante recessões.
  • Os resultados evidenciam a importância de programas de apoio à saúde das crianças assim como os efeitos de longo prazo que a deterioração da saúde pode implicar.

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