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Vitórias e derrotas de Tsipras

14 Julho 2015

Alexis Tsipras cedeu em muito face às expectativas que ele próprio criou de que acabaria com a austeridade na Grécia. Mas o que talvez mais tenha impressionado os analistas foi a forma como acabou por recuar face à proposta que havia recusado há duas semanas — e que levou a referendo para ser “chumbada” com estrondo com pelo povo grego.

Alexis Tsipras levará assim por diante um programa de consolidação orçamental e ajustamento que exige:

  • Que ignore a interpretação que ele próprio fez dos resultados do referendo que chumbou com 61% dos votos uma proposta muito semelhante.
  • Excedentes primários de 1% este ano e crescentes até 3,5% do PIB em 2018. Um ajustamento significativo, especialmente se se considerar que a austeridade teve resultados medíocres até agora no país. Muitos dos críticos dizem mesmo que é por aqui que o programa falhará novamente, como argumenta esta análise de Christian e John Springford do Centre for European Reform, no Reino Unido.
  • Aumentos de IVA em vários produtos e cortes de pensões que tinha prometido recusar, entre outras medidas de austeridade.
  • A continuação do FMI e da troika de credores, com visitas regulares por mais 3 anos.
  • A criação de um fundo de activos do estado grego, de até 50 mil milhões de euros, que servirá de garantia ao empréstimo, e incluirá os activos a privatizar.

Todas estas são derrotas de Tsipras. Mas haverá também vitórias?

Sim, embora possam ficar mitigadas pelo que parece um erro de avaliação na estratégia negocial do Syriza. Afinal, se não estava disposto a incumprir na Zona Euro e a arriscar a expulsão, o Syriza talvez devesse ter parado quando, antes de 30 Junho, tinha um acordo semelhante na mão e mantinha o sistema financeiro funcional. Nas últimas duas semanas, não só agravou a situação dos bancos, como todos os problemas financeiros futuros — mesmo os que já lá estavam — lhe serão imputados.

Mas que vitórias são estas? São três:

  1. A maior talvez seja a redução da austeridade prevista face aos planos anteriores da troika, que aponta para um excedente primário de 3% do PIB este ano e 4,5% do PIB no próximo.
  2. Conseguiu que o FMI saísse em defesa de uma reestruturação da dívida pública. Uma extensão das maturidades e períodos de carência dos empréstimos europeus, prometida desde 2012, deverá agora avançar, como condição para o FMI emprestar dinheiro.
  3. Será necessário confirmar versões finais, mas a composição das medidas de ajustamento também estará ligeiramente menos centrada em pensões, funcionários públicos e salários, e mais em lucros e empresas.

Também gostámos de ver:

Temas que vai ouvir falar hoje:

  • Tsipras tem de garantir em casa o máximo apoio político ao acordo que firmou com os restantes líderes europeus. Não vai ser fácil.
  • Várias empresas norte-americana do sector financeiro mostram contas esta semana. Hoje é a vez do JP Morgan.