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Sector financeiro gripa os motores do crescimento real

10 Julho 2015

A ideia de que um sistema financeiro desenvolvido estimula o crescimento pode ser verdadeira para economias em desenvolvimento, mas é errada nas economias desenvolvidas, defendem Stephen Ceccetti, um alto responsável do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS) entre 2008 e 2013 e especialista economia financeira, e Enisse Kharroubi, economista sénior da instituição.

Num contributo publicado no VOX escrevem que os “booms financeiros não são, por regra, promotores de crescimento”, reclamando que “há uma necessidade crescente de reavaliar a relação entre a finança e o crescimento real nos sistemas económicos modernos”.

Os dois economistas analisam o crescimento real do PIB por trabalhador, a proporção de emprego no sector financeiro e o nível de crédito ao sector privado em 20 economias avançadas entre 1980 e 2010, e concluem que existe uma relação negativa entre o crescimento do sector financeiro e o crescimento da economia real. Irlanda e Espanha nos anos 1990 e 2000 são dadas como exemplos.

Porquê?

A nossa tese é que isto acontece porque a finança tende a favorecer indústrias menos produtivas, pois estas indústrias têm tipicamente activos que são mais facilmente oferecidos como colateral. Assim, quando a finança cresce, a composição sectorial da economia muda puxando para baixo a produtividade total.

Para testarem a sua hipótese, os dois economistas olham para 33 indústrias em 15 economias avançadas para perceber, afinal, quais beneficiam e quais são prejudicadas pelo crescimento do sector financeiro. A conclusão é “robusta”, escrevem: saem a perder as indústrias com mais activos intangíveis ou mais fortes em investigação e desenvolvimento.

A natureza distributiva do impacto [do crescimento do sector financeiro] é perturbadora, uma vez que os booms de crédito prejudicam o que normalmente vemos como motores de crescimento.

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