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Constrangimento no acesso ao crédito tem forte impacto na produtividade

09 Julho 2015

Numa altura em que muito se fala da necessidade de os países implementarem reformas estruturais para se tornarem mais competitivas e produtivas, um estudo publicado por dois economistas no BCE mostra que um dos factores que pode ser decisivo para a evolução da produtividade num país é algo que não se resolve com reformas estruturais.

O estudo assinado por Annalisa Ferrando e Alessandro Ruggieri, chamado “Financial constraints and productivity: evidence from euro area companies”, analisa a forma como as dificuldades das empresas em aceder ao crédito pode conduzir a uma quebra muito significativa da sua produtividade.

São estas as principais conclusões do estudo:

  • Nos oito países avaliados — Alemanha, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Itália, Holanda e Portugal — faz-se uma caracterização das empresas dividindo-se entre as que não têm qualquer constrangimento de crédito, as que têm constrangimentos negativos e as que apresentam constrangimentos absolutos. Estas últimas empresas representam entre 23,1% na França e apenas 13,5% na Holanda.
  • Os autores dizem que os constrangimentos financeiros baixam significativamente a produtividade. Isso acontece na generalidade dos sectores, mas de forma mais acentuada naqueles que dependem mais da inovação, como a energia, água e comunicação e informação.
  • O impacto negativo na produtividade é mais baixo na Holanda e Alemanha e mais alto em Portugal, Espanha, França e Itália, os países periféricos da análise. Nestes, as perdas estão situadas em média nos 10%.

Mario Draghi, lembra o estudo, defendeu que num quadro de restricções no acesso ao crédito se torna ainda mais importante realizar reformas estruturais para aumentar a produtividade. Mas talvez se possa concluir também que, na zona euro e em particular na sua periferia, se justifica um esforço ainda maior (feito também pelo BCE) para se garantir um acesso mais fácil das empresas ao crédito.

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