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As três hipóteses da Grécia

08 Julho 2015

Com a economia e bancos gregos paralisados, e cinco dias pela frente até mais uma Cimeira da Zona Euro no Domingo, Zsolt Darvas e Guntram Wolff fazem no Bruegel uma síntese de três possíveis caminhos para a Grécia, e suas consequências. Vale a pena sintetizar:

Saída da Grécia do euro

Uma saída de um país da Zona Euro não está prevista nos tratados, mas esta poderá ser imposta “de facto” através do fecho da torneira de liquidez pelo banco central, deixando os bancos sem dinheiro.

Neste caso, será apenas uma questão de tempo até faltar dinheiro na economia, o que se traduzirá na incapacidade de fazer transações, e consequente falta de bens e serviços, fecho de empresas, desemprego, queda de receitas fiscais, e incapacidade do Estado de fazer face às suas despesas, incluindo salários e pensões. A introdução de uma nova moeda seria inevitável.

Esta é, segundo os autores, a pior solução para os credores, que deverão perder grande parte do financiamento à banca pelo BCE, assim como os empréstimos dos dois resgates, que somam mais de 200 mil milhões de euros. O risco de instabilidade financeira e de incerteza sobre o futuro e irreversibilidade da Zona Euro aumentariam.

Um novo programa de financiamento

Os autores usam os exemplos de Portugal, Espanha e os Bálticos para defender que, apesar de com custos, os programas de ajustamento poderem desembocar em crescimento económico e criação de empregos. Na Grécia também seria possível. Mas, para isso, será necessário um programa centrado em reformas estruturais promotoras do crescimento, combate à corrupção e evasão fiscal, e menores exigências de austeridade.

Os dois economistas defendem ainda uma reestruturação da dívida pública que a associe ao crescimento da economia grega ao longo do tempo.

Esta seria a solução menos cara para os credores, mas acarreta riscos políticos por muito tempo: a dificuldade de relacionamento entre a Grécia e os credores poderá criar muita tensão política ao longo dos anos.

Default, com Grécia no euro

Perante a impossibilidade de um acordo, a solução pode passar por deixar a Grécia entrar em default. Nesse caso, os bancos teriam de ser recapitalizados com dinheiro do Mecanismo Europeu de Estabilidade, e o BCE teria de passar a providenciar liquidez aos bancos.

Neste cenário, os autores defendem que seria essencial garantir que os bancos não financiariam o Estado e que não haveria mais nenhum empréstimo pós-default. Caberia ao governo grego convencer os mercados da bondade da sua gestão orçamental.

Esta solução acabaria com tensão da gestão dos resgates, mas criaria novos desafios para a Grécia e para os credores. Do lado grego, a importância de reformas promotoras do crescimento seria ainda mais importante. Do lado dos governos europeus seria necessário interiorizar as perdas inevitáveis, e dar mais apoio para os bancos gregos.

Também gostámos de ver:

Temas de que vai ouvir falar hoje:

  • O último debate do Estado da Nação da legislatura, com Pedro Passos Coelho no Parlamento para defender os seus quatro anos de governação.
  • As negociações com a Grécia continuam e a incerteza também. Os bancos deverão ficar fechados até segunda. O governo grego está a desenhar um novo programa de resgate.