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A espantosa resistência alemã à crise

06 Julho 2015

Num momento decisivo para o futuro da Zona Euro e em que se discute até a permanência no euro do seu membro mais fustigado pelos eventos dos últimos anos, vale a pena olhar também para o seu membro mais forte, a Alemanha, e para o seu impressionante desempenho económico durante a crise.

É isso que faz um recente artigo publicado no ZEW, um importante think tank alemão, num artigo intitulado “German Public Finances Through the Financial Crisis”. É difícil não ficar impressionado:

  • O grande choque económico sobre a Alemanha na crise foi no sector exportador em 2009: a economia contraiu 5% e as exportações 14%. Em 2011 o PIB alemão voltou a bater novos recordes.
  • O mercado de trabalho resistiu especialmente: a taxa de desemprego nunca ultrapassou os 4% da população. Os economistas associam o desempenho às reformas laborais do início do século na Alemanha (com mais flexibilidade incluindo muitos “part-times” e contenção salarial) e da introdução de jornadas de trabalho mais curtas durante a crise.
  • A retoma da economia e a resistência do mercado de trabalho protegeu as finanças públicas, que ofereceram um apoio considerável ao rendimento das famílias durante a crise.
  • As políticas de estímulo orçamental ajudaram entre 2008 e 2010, e foram complementadas com uma reversão gradual dessas políticas após 2010. Cortes na despesa de funcionamento do Estado foram marginais.
  • A situação orçamental alemã era confortável quando a crise bateu à porta, o que contribuiu para que os cofres públicos pudessem recapitalizar e financiar bancos em escala considerável e ainda assim manter a dívida pública abaixo de 85% do PIB.

Perante um desempenho destes é mais fácil perceber que há muitas formas de sentir e percepcionar os últimos anos.

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Temas de que vai ouvir falar hoje:

  • O rescaldo à votação no referendo grego, e em particular as primeiras reacções dos governos europeus, do Eurogrupo, e do BCE.