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O plano antigo de Varoufakis para incumprir e ficar no euro

01 Julho 2015

No debate sobre a crise grega tem surgido com frequência a ideia de que um incumprimento da Grécia implica uma saída do país da Zona Euro. Esta associação deve ser, no entanto, menos óbvia do que por vezes parece.

Por várias razões…

  • Desde logo, porque uma união monetária é mais resistente se prever mecanismos que lhe permitam sobreviver intacta a incumprimentos de Estados-membros — como de resto acontece nos Estados Unidos.
  • Depois há a dificuldade legal de expulsar um país da Zona Euro: como já escrevemos antes, um “Grexit é muito mais difícil do que parece”.
  • Finalmente, os custos de uma saída da Grécia, com um incumprimento em larga escala, são grandes do ponto de vista financeiro.

Tudo isto parece estar bem presente na cabeça do agora ministro das Finanças grego. Em 2012, Yanis Varoufakis contestou a ideia de que a Grécia deveria sair do euro, incumprir e desvalorizar a moeda, como proposto, por exemplo, por Paul Krugman e Mark Weisbrot.

O então professor na Universidade de Atenas tinha no entanto ideas muito claras sobre o que o seu país deveria fazer: incumprir e ficar no euro, e usar essa margem orçamental para aliviar a austeridade.

No mesmo ano, num outro artigo publicado no seu blogue, Varoufakis defendia que um “default” não implica um “Grexit”:

O Estado grego, recordo-vos, está muito próximo do excedente primário. Com cortes ligeiros de cima para baixo em salários e pensões, e a emissão de obrigações ligadas à receita fiscal, o sector público grego poderia financiar-se no futuro previsível. Tudo o que é preciso é que o BCE continue a garantir liquidez aos bancos gregos.

Três anos depois, a Grécia já regista excedentes primários e a estratégia de incumprimento dentro do euro parece estar em andamento — se não para levar até ao fim, pelo menos como ameaça credível nas negociações com os credores. E até conta com apoiantes de peso. Em Abril, Wolfgang Munchau defendia por exemplo que um incumprimento ao FMI e BCE é necessário, mas a saída da Zona Euro não. Esta semana Jeffrey Sachs, o influente economista norte-americano que aconselhou a Grécia nas negociações, insistiu na importância de permitir um incumprimento, ficando no euro.

Também gostámos de ver:

Temas de que vai ouvir falar hoje:

  • A decisão do BCE sobre o financiamento aos bancos gregos e o “day after” do incumprimento ao FMI.