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Grécia de cofres vazios e colchões cheios

26 Junho 2015

A análise é de Lorcan Roche Kelly, na Bloomberg, e evidencia bem o receio dos gregos de acabarem fora da Zona Euro ou serem confrontados com controlos de capitais: a quantidade de notas em circulação no país atingiu novos máximos, ascendendo a cerca de 44 mil milhões de euros no final de Maio.

É conhecido o elevado volume de levantamentos de depósitos na economia grega nos últimos meses, tendo recuado de um pouco mais de 160 mil milhões de euros no final de 2014 para menos de 140 mil. Roche Kelly pesquisou nos dados do banco central grego para perceber quanto dinheiro passou a estar em notas em circulação.

Segundo os números oficiais, entre o final de Dezembro, quando caiu o governo de Antonis Samaras, e o final de Maio, as notas em circulação aumentaram 14 mil milhões de euros, de cerca de 30 mil milhões para 44 mil milhões, atingindo o máximo registado no momento mais quente da crise grega em 2012. E estes dados não compreendem Junho, o período mais quente da crise.

O Estado e os bancos em Atenas estão de cofres vazios, mas os colchões dos gregos estão, aparentemente, cheios.

O receio de acabarem fora da Zona Euro ou de verem o seu acesso às poupanças limitado é intensificado pelo prolongar das negociações entre a Grécia e os credores. A necessidade de impor controlo de capitais é um cenário considerado possível e é mesmo defendido por alguns dos Governos do euro. Já este mês Raoul Ruparel, director adjunto do Open Europe, sistematizou os mecanismo que poderiam operacionalizar tal controlo:

  • Limites a levantamentos de depósitos, incluindo em caixas multibanco. No Chipre o limite foi 300 euros por dia, por pessoa.
  • Limites a transferências internacionais que não digam respeito a operações comerciais entre empresas.
  • Impostos ou taxas elevadas sobre transferências de capital para fora do país.
  • Controlos fronteiriços para verificação de dinheiro que sai fisicamente pelas fronteiras.

As negociações entre o governo grego e os credores deverão prolongar-se para o fim de semana.

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Temas de que vai ouvir falar hoje:

  • Conselho Europeu (que reune às quintas e sextas) decide sobre políticas de emigração na UE e analisa relatório dos cinco presidentes sobre o futuro da integração monetária (e, claro, Grécia, Grécia, e mais Grécia).