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A diferença que a promessa de mais austeridade faz

23 Junho 2015

O Governo grego aceitou impor medidas de consolidação orçamental na Segurança Social e nos impostos sobre o consumo e isso foi o suficiente para que, de uma situação de difícil impasse, se começasse a falar em Bruxelas na possibilidade de obtenção de um acordo no espaço de dois dias.

Um acordo ainda não está assinado, mas a proposta feita por Atenas foi descrita pela grande maioria dos responsáveis políticos europeus (Schäuble ainda não falou) como um passo na direcção certa, estando agora a ser feitas negociações entre o Governo grego e a troika para que se obtenha um acordo numa reunião do Eurogrupo que está para já pensada para quarta-feira.

Para garantir este avanço, onde é que a Grécia cedeu que não tivesse já cedido?

  • O excedente orçamental primário passou de 0,5% este ano e 1,5% no próximo para 1% e 2% respectivamente.
  • Na Segurança social há um aumento da contribuição paga pelas empresas (gerando 800 milhões de euros de receitas), agravamentos das contribuições dos pensionistas para a saúde, aceleração da imposição de obstáculos às reformas antecipadas e promessa de uma reforma no sistema que torne o valor das contribuições mais compatível com o valor das pensões.
  • No IVA, vários produtos passam das taxas reduzida e intermédia para a taxa máxima.

Há medidas em que a Grécia não cedeu:

  • Na Segurança Social, não são feitos cortes directos nas pensões.
  • No IVA, os medicamentos e os livros mantém a taxa mínima de 6% e os alimentos básicos, energia e hotéis continuam com uma taxa intermédia de 13%.

No total, a proposta aponta para que, até ao final de 2016, sejam aplicadas medidas de consolidação na ordem dos 8000 milhões de euros, um valor que deverá ter certamente um impacto significativo na actividade económica do país.

O Governo grego defende-se e diz na proposta que as medidas “não condenam o país à austeridade severa e encontram uma solução viável para a economia grega, sem sobrecarregar aqueles que vivem com rendimentos baixos e médios”.

Do lado da troika, quando questionado sobre a possibilidade do programa poder ter um efeito recessivo na economia, disse que “isso pode ser discutido agora”.

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Temas de que vai ouvir falar hoje:

  • A Grécia vai continuar a dominar as atenções. As reuniões entre o Governo grego e a troika vão tentar obter um entendimento final que possa ser apresentado no dia seguinte a uma nova reunião do Eurogrupo. Depois do ambiente de optimismo de ontem, haverá ainda lugar a novos dramas?