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Menos tempo no desemprego nem sempre é bom

19 Junho 2015

Nos últimos anos foi muitas vezes criticada a excessiva generosidade dos sistemas de subsídios de desemprego na Europa (que mesmo na maior recessão de décadas incentivariam os desempregados a permanecer sem trabalho) e valorizada a importância de garantir uma transição rápida para o emprego.

As virtudes desta abordagem são, no entanto, menos evidentes do que possa parecer à primeira vista. Um recente artigo publicado no IZA, um think tank alemão, explica porquê, questionando: “Os desempregados aceitam trabalho demasiado depressa?”.

Não há dúvidas que, no curto prazo, menos desempregados custam menos aos cofres públicos e à economia. O problema é que no longo prazo pode não ser bem assim. E porquê? Segundo vários estudos, períodos de procura de emprego demasiado curtos traduzem-se com frequência em empregos piores, com remunerações mais baixas e durações mais curtas, uma combinação com consequências negativas para o bem-estar individual e colectivo no longo prazo.

Simonetta Longhi, da Universidade de Essex, aborda a questão comparando os novos empregos de trabalhadores que estavam no desemprego com outros que mudaram de emprego, com base em dados para o Reino Unido entre 1993 e 2010. A economista conclui que a curta permanência no desemprego (mais do que as características dos desempregados ou qualquer preferência dos empregadores por trabalhadores que venham de outras empresas) é um dos factores que mais influencia a qualidade dos novos empregos.

Os principais resultados:

  • A probabilidade dos desempregados aceitarem um emprego é maior do que entre pessoas com emprego, e tendem a encontrar piores empregos.
  • Depois de descontar as características individuais, as diferenças entre os novos empregos dos ex-desempregados e os dos que já estavam empregados são relativamente pequenas, o que aponta para os piores empregos dos ex-desempregados se deverem, em grande medida, a menor tempo de procura por parte destes.

Para a autora:

Os resultados sugerem que os desempregados podem obter empregos de qualidade, comparáveis aos dos empregados que procuram emprego, desde que possam suportar um tempo de procura mais longo.

Em resumo: menos tempo no desemprego nem sempre é bom!

Também gostámos de ver:

  • As negociações gregas continuam na segunda com uma cimeira de urgência. Nenhum dos lados parece querer ceder. O The Guardian tem uma boa síntese dos cenários pela frente que continuarão a animar o fim de semana.

Temas de que vai ouvir falar hoje:

  • Pedro Passos Coelho está no Parlamento para o habitual debate quinzenal. A crise grega e o impacto em Portugal estarão entre os temas do confronto parlamentar.