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Artigos que surgem em primeiro lugar são mais citados

16 Junho 2015

No mundo das artes é antiga a prática de troca de nomes reais por outros mais atractivos, como forma de procurar visibilidade e credibilidade. O mundo académico está muito longe das artes e conhecem-se poucos pseudónimos, mas a julgar por um recente artigo co-assinado pelo presidente do National Bureau of Economic Research (NBER) há boas razões para ponderar mudar o sobrenome, e de preferência para um que comece com uma das letras do início do alfabeto. É que os trabalhos académicos que surgem citados em primeiro lugar em listas de artigos, por exemplo em bibliografias (tipicamente ordenadas por ordem alfabética do último nome) são mais vezes captados por quem as consulta.

Em “Order effects in reading and citing academic papers” Daniel Feenberg, presidente do NBER, Ina Ganguli, Patrick Gaulé, Jonathan Gruber estudam a possibilidade de as citações serem influenciadas pela ordem em que surgem os artigos, em particular por estarem no topo ou no fim de uma lista.

Este tipo de enviesamento é conhecido no comportamento humano e pode ser justificado por fadiga cognitiva, por congestão da memória de curto prazo, ou simplesmente o resultado de um mecanismo para abreviar a consulta quando a procura leva muito tempo ou é cara.

Para investigarem o que se passa no mundo académico em Economia, os autores usam a lista de artigos enviada pelo NBER todas as segundas feiras por e-mail para mais de 23 mil subscritores no mundo, de dentro e fora do mundo académico, nos anos de 2013 e 2014. A lista é útil pois os artigos são ordenados por data de submissão ao NBER, o que é uma escolha aleatória.

Para avaliarem quais são mais consultados, ligam cada artigo ao número de vezes que foi consultado e os resultados são claros:

  • O número de consultas aos resumos e de downloads dos artigos que surgem no topo da lista é superior em cerca de 30% aos restantes. O último da lista também é muito consultado.
  • A partir das citações referenciadas no Google Scholar conclui-se que esses mesmos artigos recebem 25% mais citações.
  • O enviesamento verifica-se tanto entre peritos como entre não peritos que recebem o email do NBER.
  • As vantagens de estar nos primeiros lugares são tanto maiores, quanto maior for a lista em que estiver incluído o artigo.

Perante os resultados, os autores avisam para a importância de ter em conta estes enviesamentos quando se organizam listas de divulgação de artigos.

Pelo sim pelo não, os autores mais preocupados com a sua visibilidade talvez façam melhor em optar por assinar com pseudónimos nos sobrenomes, preferencialmente começados pelas primeiras letras do alfabeto ou por Z.

Também gostámos de ver:

  • Mais flexibilidade no mercado de trabalho conduz a mais desigualdade no crescimento, o que por sua vez reduz o crescimento no médio prazo. E quem o diz é o FMI, conhecido por recomendar a países como Portugal que flexibilizem os seus mercados de trabalho.

Temas de que vai ouvir falar hoje:

  • É divulgado o indicador de confiança ZEW, que mede as expectativas dos investidores na Alemanha. As expectativas dos analistas apontam para uma descida, mas a dimensão da mesma pode ser decisiva para perceber qual o ritmo da retoma na economia da zona euro.