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Política orçamental expansionista funciona melhor com o banco central a ajudar

15 Junho 2015

Se os Governos europeus têm a intensão de aplicar uma política orçamental mais expansionista para pôr a economia a crescer, o melhor é aproveitar agora, enquanto o Banco Central Europeu ainda está a aplicar a sua própria política expansionista.

A conclusão resulta de um estudo publicado este mês pelo Fundo Monetário Internacional — pelo departamento liderado por Olivier Blanchard — e que analisa de que forma é que a política monetária influencia o impacto na economia das políticas orçamentais.

O trabalho, intitulado “(Not) Dancing Together: Monetary Policy Stance and the Government Spending Multiplier” verifica de que forma é que ao longo das últimas décadas as políticas seguidas pelos bancos centrais e pelos Governos de combinam e se influenciam. Em concreto, os autores procuram saber como é que políticas monetárias mais ou menos expansionistas fazem com que a tentativa de reanimar a economia por via orçamental seja mais ou menos bem sucedida.

O estudo chega a duas principais conclusões:

  1. O multiplicador da despesa orçamental (o efeito que uma variação na despesa tem na economia) é substancialmente mais elevado quando a política monetária é expansionista do que quando não é.
  2. Mais despesa pública pode estimular mais consumo privado se a política monetária for mais expansionista, ou afastar o consumo privado se a política for não expansionista.

O que isto significa, dizem os autores, é que uma política de estímulos baseada no Orçamento do Estado tem maior eficácia precisamente quando é mais precisa, ou seja, quando os bancos centrais já estão também a tentar actuar.

Para os governos europeus, que começam agora de forma tímida a pensar em ser mais activos na hora de criar estímulos para a sua economia por via orçamental, a lição que se retira é que, com o BCE mais activo que nunca comprando títulos de dívida pública nos mercados, esta é a melhor altura para também agir.

E tendo em conta que a Fed e o Banco de Inglaterra já estão a retirar a sua política expansionista e que o BCE não demorará muito para além de 2016, o tempo para o fazerem com a maior eficácia poderá não ser muito.

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