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A privatização da TAP pode tornar a empresa mais lucrativa?

12 Junho 2015

São vários os argumentos pró e contra a venda da TAP a investidores privados que hoje deu mais um passo em frente em conselho de ministros, com a atribuição de 61% do capital da companhia aérea portuguesa ao consórcio de David Neeleman.

Entre os que se opõem, fala-se, por exemplo, do perigo que constitui ter uma companhia de bandeira controlada por privados (sendo alguns deles estrangeiros) e das perdas que podem surgir de uma eventual redução da importância dos aeroportos nacionais como plataforma da TAP.

Do lado dos que defendem a operação de privatização, assinalam-se as dificuldades em capitalizar a empresa de forma adequada tendo como accionista principal o Estado.

Mas para além destes e de outros argumentos, uma questão também se coloca com a concretização da privatização da TAP: tornar-se-á a empresa mais eficiente, produtiva e lucrativa? Os estudos académicos que se debruçaram na última década sobre esta matéria apontam para resultados contraditórios que tornam difícil chegar a uma conclusão definitiva.

Em 2007, um estudo publicado por dois economistas italianos — Alfredo Macchiati e Giovanni Siciliano — concluía, com base na experiência de três companhias aéreas privatizadas (British Airways, Lufthansa e Iberia), que a presença de um accionista estatal, mesmo que minoritária, tinha um efeito negativo na eficiência das empresas.

Em 2011, Magnus Söderberg e Stefan Sjögren olharam para os efeitos da desregulação, do estabelecimento de alianças e das privatizações na produtividade das companhias aéreas. Os resultados foram diferentes para cada um dos casos: a desregulação aumenta a produtividade, a participação em alianças tem um efeito ambíguo e a detenção da empresa pelo Estado (o que agora está em causa na TAP) não tem um efeito significativo.

Por fim, em 2014, um estudo publicado por Gabriel Dario Burgos Suarez, que avalia os impactos de mudanças na estrutura accionista no desempenho financeiro das companhias aéreas, conclui que “não existe uma diferença estatisticamente significativa entre os lucros gerados por empresas detidas pelo Estado e empresas detidas por privados”. O estudo conclui que outros factores, como a localização da empresa ou a estabilidade económica do país são muito mais determinantes.

A decisão de privatizar a TAP, assumida com urgência pelo Governo invocando exigências das autoridades europeias, está ainda longe de ser definitiva até porque o processo apenas pode ser dado por concluído (incluindo, por exemplo, a aprovação das autoridades da concorrência) já depois das eleições e o PS tem dito que pretende reverter a privatização se chegar ao poder.

Também gostámos de ver:

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Temas de que vai ouvir falar hoje:

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