Voltar à lista

Estudo do BCE defende bancos mais pequenos na Europa

09 Junho 2015

A Europa cresce menos por ter um sistema bancário demasiado grande. Esta é uma das principais conclusões de um recente estudo do BCE que conclui que os bancos desempenham mal o seu papel crucial na afectação de crédito na economia, e convida as autoridades a limitar o crescimento e a dimensão dos bancos na região e, ao mesmo tempo, a incentivar alternativas de financiamento nos mercados de capitais, em particular pelas PME.

Em “Bank bias in Europe: effects os systemic risk and growth” Sam Langfield e Marco Pagano, começam citando Mario Draghi, o presidente da instituição, no Parlamento Europeu no final do ano passado:

Olhando para a nossa experiência do passado, a ausência de canal de financiamento alternativo aumentou o risco total — porque o canal de crédito bancário entupiu. É melhor ter uma pluralidade de canais a financiar a economia real do que confiar apenas num.

Os economistas partem depois para testar empiricamente o diagnóstico. Usam dados de 517 bancos em 20 países europeus entre 2000 e 2012, e consideram na análise a dimensão dos sistemas bancários e dos mercados de acções e de dívida nas várias economias, o risco sistémico assumido pelos bancos, o crescimento económico e a evolução dos preços do imobiliário e das acções. Chegam três conclusões:

  1. Desde os anos 1990 o sistema bancário europeu cresceu muito mais que a economia e mais que noutras regiões do globo, afirmando-se como o maior sistema bancário do mundo (com um total de activos em 2013 de quase 334% do PIB). Isto constitui um “enviesamento bancário” que não tem par em qualquer outra economia avançada.
  2. A dimensão de um sistema bancário está positivamente relacionada com o risco sistémico assumido, pois a expansão dos bancos ocorre à custa da qualidade de crédito. Uma queda de 10% no preço das casas tem impactos significativos.
  3. O crescimento económico tende a ser menor em economias com sistemas bancários maiores. Com a economia em expansão, os bancos concedem crédito mesmo a maus projectos com produtividade baixa. Quando a crise chega e os preços dos activos caem (prejudicando o colateral dos bancos), até bons projectos têm dificuldade em obter financiamento.

Os economistas defendem por isso que a Europa está a ser penalizada por este “enviesamento bancário”, o que explica em parte o prolongamento da crise. Perante o diagnóstico propõem várias políticas:

  • Em complemento às recentes reformas que fortaleceram a regulação, a supervisão e a resolução de bancos, as autoridade deveriam procurar formas de limitar crescimento e dimensão dos bancos. A intenção de separar as actividades de investimento e de crédito vai no bom caminho, mas ajudaria ter também uma autoridade de concorrência ainda mais forte, defendem.
  • A Europa deve também apostar na união de mercados de capitais que está a ser promovida pela Comissão Europeia através, por exemplo, da integração das plataformas de negociação acionista, redução de custos do financiamento nos mercados de capitais em particular para PME ou da maior harmonização das regras de emissões de dívida privada.

Também gostámos de ver:

Temas de que vai ouvir falar hoje:

  • Banco de Portugal divulga dados sobre evolução de depósitos e crédito em Abril. O arranque do ano está marcado por um aumento do crédito às famílias para financiar consumo.
  • O INE divulga os dados sobre as exportações e importações de mercadorias até Abril. Além  das taxas de crescimento e destinos, especialistas estarão a olhar para a evolução do saldo comercial.