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A religiosidade atrasa a inovação

12 Maio 2015

Estão identificados na literatura vários canais pelos quais a religiosidade pode beneficiar o crescimento económico, com destaque para o facto de favorecer a confiança e a valorização de normais sociais, e por promover a literacia.

Roland Bénabou (Princeton), Davide Ticchi e Andrea Vindigni (IMT Luca), num artigo público no IZA, exploram um canal pelo qual a religião prejudicará o crescimento: o impacto negativo na inovação, e no progresso tecnológico, que os autores descrevem como “o mais importante determinante do crescimento de longo prazo”.

Em 2013 os três investigadores identificaram uma relação negativa entre os níveis de religiosidade e número de patentes consistente na análise a vários países. No seu mais recente trabalho concentram-se nos efeitos da religião em várias atitudes perante a inovação.

Usando dados dos questionários World Values Survey (1980, 1990, 1995, 2000 e 2005) realizados em cerca de uma centena de países, os investigadores aproveitam respostas sobre cinco factores associados à religião:

  1. Ser ou não religioso
  2. Crença em Deus
  3. A importância da religião
  4. A importância de Deus na própria vida
  5. Frequência de visitas à igreja

De seguida, relacionam-nos com 11 atitudes individuais perante a inovação, as quais que agregam em três categorias:

  1. Atitudes perante a ciência e a tecnologia (inclui, por exemplo, acreditar que dependemos demasiado da ciência e pouco na fé)
  2. Atitudes perante novas ideias, mudança e tomada de risco (inclui, por exemplo, preocupação com as dificuldades que a mudança pode provocar)
  3. Finalmente, atitudes quanto ao que é importante uma criança aprender (inclui, por exemplo, imaginação ou perseverança)

A conclusão é peremptória:

Nas 52 especificações de regressões (controlando por factores sociodemográficos, países e anos) um nível superior de religiosidade foi quase uniformemente e de forma muito significativa associado a perspectivas menos favoráveis sobre a inovação.

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