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A importância da economia nos seis meses antes das eleições

11 Maio 2015

O Partido Conservador conseguiu uma inesperada maioria absoluta no Reino Unido e, em Espanha, a poucos meses das eleições, o Partido Popular volta a liderar nas sondagens. Dois partidos que aplicaram medidas de austeridade nos anos a seguir à crise financeira internacional, obtêm agora êxitos eleitorais.

Será que os eleitores não estão a ligar à economia? Ou será que, pelo contrario, é precisamente a economia que explica o que está a acontecer.

Existe muita literatura académica sobre o efeito que a situação económica de um país tem nos resultados eleitorais. E a generalidade aponta para que a evolução de indicadores como o desemprego, o PIB ou a inflação tenha um papel determinante na capacidade que o presidente ou o Governo no poder tem para vencer novamente as eleições.

O desemprego a subir, a economia a desacelerar ou os preços a dispararem contribuem decisivamente para que os incumbentes sejam retirados dos seus lugares.

Como mostra este artigo da revista Time, a história das eleições presidenciais nos Estados Unidos está intimamente ligada à forma como se foram encaixando os ciclos económicos no calendário eleitoral. Um presidente (ou um candidato do mesmo partido que o presidente), que nos últimos meses do seu mandato, conseguisse apresentar uma economia em que os indicadores estavam a melhorar tinha meio caminho andado para ganhar as eleições.

É precisamente isso que Paul Krugman diz que explica o que aconteceu na quinta-feira no Reino Unido. A economia britânica, depois de uma forte recessão a seguir à crise financeira internacional e uma dose forte de austeridade, está agora a recuperar, com taxas de desemprego já próximas de 5%. E em Espanha pode estar a acontecer o mesmo, já que, apesar do desemprego ainda estar a níveis muito elevados, também está a descer.

Os defensores da política económica seguida no Reino Unido e na zona euro, dizem que esta é a recompensa por uma política económica que está a dar resultados. Os críticos, como Krugman, lamentam o que dizem ser um prémio dado a políticas erradas (e um estímulo a que estas se mantenham), argumentando que a economia está a recuperar por força da pausa que foi feita na austeridade e graças à política expansionista dos bancos centrais.

E em Portugal, o que irá acontecer? Também cá, depois de uma recessão profunda, o último ano tem sido de regresso a taxas de crescimento positivas e de descida da taxa de desemprego, embora ainda em valores muito altos. Irá o actual Governo beneficiar destes sinais de retoma recentes ou ser penalizado pela quebra profunda da economia que se registou nos primeiros anos do seu mandato.

Um estudo realizado por dois economistas da Universidade do Minho em 2006 — Francisco José Veiga e Linda Gonçalves Veiga — confirma, usando dados relativos a Portugal, que indicadores como o desemprego influenciam os resultados eleitorais. No entanto, deixa um alerta que pode fazer toda a diferença nas actuais circunstâncias: “Os eleitores portugueses parecem atribuir uma maior importância ao passado muito recente”.

A ser assim — e porque os eleitores dão também mais importância à tendência revelada pelos indicadores do que ao seu valor em termos históricos — podemos ver o actual Governo a ter na economia um trunfo eleitoral em vez de um obstáculo eleitoral, algo que seria impensável há alguns meses atrás.

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Temas de que vai ouvir falar hoje:

  • É dia de mais um Eurogrupo em que o tema central sera a Grécia. Os intervenientes já vieram avisar que não se espera qualquer acordo, mas a verdade é que as possibilidades de adiamento de uma solução começam a esgotar-se.